terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dois hérois guerreiros








Desde o fim dos anos 70, novembro transformou-se em “Mês da Consciência Negra”, em homenagem a Zumbi dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695, e João Cândido, dirigente da Revolta da Chibata, iniciada em 22 de novembro de 1910. Tomados como contraponto ao discurso que impunha o “13 de Maio” como dia para a celebração da liberdade “bondosamente” concedida pela princesa Isabel, ambos são muito mais do que “heróis”: são protagonistas de histórias que nos ensinam que o único caminho para a verdadeira liberdade é consciência e luta.

Duas épocas, um mesmo inimigo


Zumbi tornou-se dirigente de Palmares ao questionar, em 1678, a liderança de Ganga Zumba, que, seduzido por um “acordo de paz”, aceitou transferir os quilombolas para uma espécie de “reserva”, onde eles teriam que viver sob vigilância.

A resistência de Zumbi a esse engodo é exemplar. Desde muito cedo, negros e negros perceberam que, para se livrar da escravidão, não seria preciso apenas se libertar das correntes; era necessário, também, construir um novo tipo de sociedade.

Palmares significava esse desafio não só por organizar-se como uma República dentro de uma sociedade colonial, mas também por questionar as próprias bases do sistema.

É isso que fica evidente no relato do português Manuel Inojosa, em 1677: “Entre eles tudo é de todos e nada é de ninguém, pois os frutos do que plantam e colhem ou fabricam nas suas tendas são obrigados a depositar às mãos de um conselho, que reparte a cada um quando requer seu sustento”.

Foi isso que motivou as dezenas de investidas militares contra o quilombo – que também abrigava judeus, índios, brancos pobres e gente perseguida pelos colonizadores – até sua completa destruição, pelo sanguinário bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694.

Palmares, contudo, em vez de representar a história de uma derrota, é, até hoje, um exemplo da importância da luta. Uma lembrança que alimentou os sonhos de João Cândido, o “Almirante Negro”, e o cerca de dois mil marinheiros (negros, na maioria) em 1910, na Revolta da Chibata.

Há 95 anos, dispostos a pôr um fim aos maltratos e castigos, os marinheiros tomaram dois navios de guerra, eliminaram seus oficiais e voltaram seus canhões contra a sede do governo federal, então o Rio de Janeiro.

Vitoriosos contra a chibata, os marinheiros, infelizmente, também foram vítimas de “acordos” fraudulentos. Depois de “anistiados”, dezenas foram presos e centenas foram deportados e mortos na Selva Amazônica.

Essas são duas histórias de dois grandes guerreiros que servem como exemplos de que o combate ao racismo, para ser vitorioso, depende de uma intesa luta contra a miséria e falta de informação, alem de uma unidade entre todos os oprimidos por esse sistema racista e anti-humano. Por isso durante todo o mês o Blog Cultura de Combate vai homenagear guerreiros que lutaram e lutam por mais cultura e educação as principais armas na luta contra o racismo.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Racismo Olímpico


Nesta semana, todos os jornais esportivos noticiaram um fato marcante
para a luta por igualdade racial: a notícia que o Black Panter Tommie
Smith irá levar a leilão sua medalha de ouro conquistada nos Jogos
Olímpicos de 1.968. Vender uma medalha de ouro olímpica pode parecer
um verdadeiro absurdo para qualquer atleta idealista e patriota, mas
para os afrodescendentes de todo o mundo, a participação ou até mesmo
uma medalha olímpica não significa exatamente o que a mídia
nacionalista prega, ou seja, a idéia que todos são iguais perante Deus
e a nação não passa de uma mentira imposta pela organização dos Jogos
Olímpicos.

Quando Smith e Carlos chegaram para a cerimônia de
premiação havia algo de diferente. Os atletas usavam meias
pretas, sem sapatos. Quando o hino dos EUA começou a ser tocado e as
bandeiras deste país e da Austrália eram erguidas, Smith e Carlos
fecharam os olhos, abaixaram suas cabeças e começaram o protesto.
Depois, ambos levantaram as mãos direita, com as luvas pretas e de
punhos fechados para representar o poder dos negros na América. Os
dois com as mãos levantadas representavam a unidade dos negros na
América.
Juntos, eles formam um arco de unidade e de poder. O lenço preto em
volta do pescoço de Smith simbolizava o orgulho negro, e as meias
pretas (sem sapatos) representavam a pobreza negra na América racista.

Sem ter a dimensão exata na hora, os atletas faziam o que é
provavelmente uma das imagens esportivas mais vistas e importantes da
história. O gesto foi pouco entendido no momento, mas logo o mundo
inteiro comentava o que os atletas haviam feito.

A ousadia do gesto significou o fim da carreira de ambos. Logo depois
que retornaram da prova para o alojamento, os dois foram expulsos da
Vila Olímpica. Depois, ao retornarem aos EUA receberam ameaças de
morte, não conseguiram voltar ao atletismo, tendo que de uma hora para
outra conseguir outra forma de ganhar a vida. A pressão sobre eles foi
tanta que a mulher de John Carlos se suicidou em 1973.

Esse não foi um fato isolado. Em 1.967, quando o campeão olímpico e
melhor peso pesado de todos os tempos Cassius Clay(vulgo Muhammad Ali)
se recusou a lutar na guerra do Vietnã. Foi banido do boxe e
perseguido por toda a vida, assim como Tommie Smith e John Carlos, mas
ao invés de vender sua medalha de ouro, Muhammad Ali jogou a medalha
no rio.
E essa é uma breve amostra dos jogos racistas e desiguais, também
chamados de Jogos Olímpicos.

O vídeo com a corrida e a saudação pode ser visto no seguinte
endereço, no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=ocullaGEnY&eurl=http://
felipetaves.blogspot.com/2009/03/salute.html.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010


“ Com o grupo Clariô encontrei

a minha família no teatro”

Martinha Soares Ferreira, ou somente Martinha é hoje uma das atrizes mais atuantes do teatro alternativo ou como também se pode dizer do teatro de acesso.

Essa preta gente boa que se encontrou com a dramaturgia por acaso se destaca não só pelo talento mais também por sua consciência da arte popular e verdadeira. A sua caminhada se cruzou com a do teatro por um simples capricho da vida em um curso profissionalizante onde teve que participar de uma em um trabalho escolar,mais que a admiração do publico esse trabalho despertou em Martinha um grande prazer, e depois dessa cena a nega não parou mais de se dedicar a arte participando de inúmeras oficinas e grupos entre eles um grupo de palhaços do abc e o grupo Pombas Urbanas.

Mais foi em 2.007 que Martinha se encontrou de fato com um grupo que mais tarde viria a se tornar a sua verdadeira família no teatro, o grupo Clariô. Junto ao Clariô Martinha participou de todo o processo de criação da peça “Hospital da Gente”.Esse trabalho foi escrito pela brilhante mente de Marcelino Freire faz diversas criticas sociais e conta um pouco da vida de diversas mulheres da periferia cada uma com suas alegrias e angustias.Assim como as mulheres-guerreiras que são retratadas na peça o grupo Clariô também não conta com ajuda alguma do poder público e desenvolve o trampo com muita garra tirando dinheiro do próprio bolso mesmo.Desde 2.008 o” Hospital da Gente” vem colecionando elogios de críticos em jornais e prêmios em diversos lugares e categorias como no ultimo por exemplo quando ganhou o primeiro premio da cooperativa paulista de teatro na categorias:GRUPO OU COMPANHIA REVELAÇÃO DE 2.008 E OCUPAÇÃO DE ESPAÇO E CRIAÇÃO DE ESPAÇO CLARIÔ,em Taboão da serra.

E sem mais delongas essa é a Martinha jóia rara da nossa periferia e da CULTURA DE COMBATE.

Acesse também o blog:

http://espacoclario.blogspot.com/

domingo, 1 de agosto de 2010

TATU DO BEM.




Salve familia,pra dar continuidade aos artigos que homenageai artistas anônimos dessa indústria de talentos chamada periferia iremos contar hoje a caminhada de um grande filósofo das brisas,Tatu...


Tatu do bem,é assim dessa forma descontraida que amigos e familiares tratam o mano Tatu,esse bom malandro que ao longo de anos vem movimentando e fazendo barulho em Taboão sempre de forma irreverente e talentosa.A história de tatu no hip hop começa no ano de 1.998 na formação do coletivo mh2g(movimento hip hop gospel)que reunião diversos grupos de Taboão da serra,Grajaú e Valo velho, o grupo tinha a intenção de organizar projetos e ventos do movimentos ligados a igreja,é claro.No ano de 2.003 Tatu muda de direção e funda junto ao dj Edi e o mc Vega o grupo de rap d'confronto,esse projeto sempre foi marcado pelas letras que reivindicavam melhorias sociais e até mesmo políticas além de desenvolverem diversos eventos que levava cultura a diversas quebradas de Taboão ,como por exemplo a festa do dia das crianças realizada todos ano na favela do Trianon.
Também foi em 2.003 que é criada a organização h2.z(hip hop do zero) que agrupava ativistas em torno e um coletivo que podes-se assim promover festas,eventos e formação de novos grupos.No ano de 2.006 tatu passa a promover oficinas de rima e composição pelo projeto hip hop atitude que contava com apoio da prefeitura local, no mesmo ano é formado o versos em brisa grupo que conta com 6 mc'c especialistas na arte do improviso e de rimas com temas irreverentes(porem sérios).O versos em brisa vem com uma proposta totalmente nova e logo causa aceitação entre a geral que curte um bom som undergroud. O Versos é atração na teia cultura realizada em 2.007 na cidade de Belo horizonte-MG e também no quinquagésimo aniversário da cidade de Taboão da serra.ao longo de toda sua caminhada Tatu sempre se destacou por ser mais que um simples cantor de rap ,Tatu se tornou um grande poeta e musico, a maior prova disso é o grupo O Terreiro que conta com mc's,sambistas e tec... em uma baita mistura de ritmos negros e brasileiros.É isso geral esse é o irmão Tatu mais um talento anônimo desse grande fabrica de talentos que também chama de periferia.

Quem sou ?

Sou simples como a vida

Sou o verso sou a brisa

Sou papel sou a caneta

Sou a calma sou a treta

Sou São Jorge sou Dragão

Sou a liberdade sou a prisão

Sou o sábio sou o burro

Sou passado sou futuro

Sou o choro sou o sorriso

Sou rico sou mendigo

Sou a rosa sou o espinho

Sou água sou vinho

Sou religioso sou ateu

Sou Tatu sou Tadeu

Sou o preguiçoso sou o militante

Sou pequeno sou GRANDE

Sou o mel sou o fel

Sou Inferno sou Céu

Sou sozinho sou acompanhado

Sou sossegado sou arretado

Sou responsável sou relaxado

Sou de boa sou folgado

Sou o Sol sou a Lua

Sou da Casa sou da RUA.


tatu